quarta-feira, 22 de novembro de 2017

No tempo das catástrofes


Isabelle Stengers é química e filósofa. Escreveu alguns livros com ninguém menos que Ilya Prigogine.

Ela faz parte daquele grupo de Cientistas (com "C" maiúsculo mesmo) que não fazem da ciência uma religião e portanto reconhece e acha bom que a ciência tenha e sempre vá ter limitações, que o cientista é uma figura humana sempre repleta de vieses, que os alertas de Hume são sempre atuais, etc, etc, etc.

Ela descreve seu "No tempo das catástrofes" como uma intervenção e não um livro ou artigo, e explica porque.

Ressuscitando o termo Gaia de uma maneira muito mais racional e coerente que os hippies dos anos 70 e os "espiritualistas da nova era" (basicamente ele nomeia Gaia como aquele(a) algo que transcende o ser humano, portanto longe de uma "mãe provedora" ou outras maluquices "espiritualóides"), ela faz um breve 'chamado' à ação para uma catástrofe ambiental iminente ou até mesmo em curso.

Evidentemente que o capitalismo insano e seus 'não viventes' (como diria Zizek) estão no alvo da crítica, mas isso é tratado superficialmente. Sua urgência e seu alvo são os 'pensantes' e o que se pode ou poderia ser mobilizado.

Isso não é uma resenha. Acho que resenhas são sempre suspeitas. Leia, reflita e por que não, discuta com alguém (hábito que infelizmente está desaparecendo e virando sinônimo de bate boca de botequim, não pior, de facebook).





sábado, 18 de novembro de 2017

Mais um dos últimos autênticos se vai

 

For Those About to Rock (We Salute You)

 

https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2017/11/18/malcolm-young-foi-a-parede-que-sustentava-o-acdc/

 

 

 

For Those about to Rock... - Veja mais em https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2017/11/18/malcolm-young-foi-a-parede-que-sustentava-o-acdc/?cmpid=copiaecola
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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Negacionistas, tá na hora de estudar... ou resistir à corrupção

Negacionista é a expressão utilizada para denominar as pessoas que negam o aquecimento global ou que negam que ele seja causado preponderantemente por ações humanas.

Já havia lido várias teses de cientistas sérios (aqui deve-se entender aqueles com pesquisas não financiadas direta ou indiretamente por corporações ou grupos "independentes" como os think thanks norte americanos) sobre a brutal similaridade da elevação da temperatura média do planeta e da elevação da queima de combustíveis fosseis e outras atividades geradoras de CO2, mas com gráficos fica mais fácil de ver.




Pra quem gostar de ler (coisa rara na atualidade) tem um 'ensaio' muito interessante sob a ótica sócio-econômica dos nossos tempos de catástrofe ambiental e barbárie econômica da Isabelle Stengers (química e filosofa da ciência - que, entre outras coisas, escreveu dois livros com ninguém menos que Ilya Prigogine) chamado "No tempo das catástrofes - Resistir à barbárie que se aproxima".

Outro interessante mais ou menos sobre essa temática - porém mais focado na nossa sociedade economicista - é o "Vivendo no fim dos tempos" do Slavoj Žižek (um dos maiores pensadores da atualidade).

Ish, já estou extrapolando nas divagações... melhor parar por aqui.




PS: poupem-me de Ricardo Feliciano. Vão direto à fonte. O IFUSP e o IAG são abertos à sociedade (http://www.iag.usp.br/pos/geral/portugues/corpo-docente). Pouco provável de alguém encontrar algum mestre ou doutor que negue a quase hegemônica influência humana no aquecimento global. Em tempo: salário de professores titulares não são alterados pelas suas opiniões, nem sequer a de bolsistas (desde que dentro da legalidade e da moralidade), além do mais, é do interesse econômico corporativo que se negue os problemas ambientais e não o contrário.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Uma garrafa no oceano

Aqui do Wood só pros Stock's, que além dos "muitos amigos Pedros" (Rauzilto não perdoa) tem que encontrar sua significância e suas diretrizes sem o discurso das subjetividades culturais para justificar amoralidades (nunca o moralismo!).



Um devaneio para minha crença de que pouca gente compreenderá uma música como a abaixo, extremamente relevante na atualidade onde a "história antiga" (apesar de extremamente jovem - parafraseando aqui a profa Isabele Stengers eu seu ensaio espetacular "No tempo das catástrofes") se choca com a possibilidade de "uma outra história" (idem), somente possível para os que questionam o ladainha continuamente bombardeada de que somente as soluções "de ordem econômica" são possíveis (se já não houvesse tantos críticos contumazes antigos com argumentos incontestáveis, agora soma-se a história como atestado de um "futuro inexistente" para essas "soluções").

Enfim, mil coisas, como diria Charlie Brown...

Esqueça tudo acima... a música é linda... é o que basta.
Dos tempos em que ainda as faziam. Lynyrd Skynyrd (1973).





Simple Man

Tradução meia boca do www.letras.mus.br:

Mamãe me disse quando eu era mais jovem
Sente aqui do meu lado, meu único filho
E ouça com atenção o que eu vou te dizer
E se você escutar, isto vai te ajudar em algum belo dia
Oh yeah!

Não tenha pressa, não viva rápido demais
Dificuldades virão e passarão
Encontre uma mulher, e encontrará o amor
E não esqueça, filho, existe alguém lá em cima

E seja um tipo simples de homem
Seja algo que você ame e entenda
Seja um tipo simples de homem
Você vai fazer isso por mim, filho?
Se puder?

Esqueça seu desejo pelo ouro do homem rico
Tudo aquilo que você precisa está em sua alma
E você pode fazer, se você tentar
Tudo que eu quero para você, meu filho
É que esteja satisfeito

E seja um tipo simples de homem
Seja algo que você ame e entenda
Seja um tipo simples de homem
Você vai fazer isso por mim, filho?
Se puder?

Menino, não se preocupe, você se encontrará
Siga seu coração e nada mais
E você pode fazer, se você tentar
Tudo que eu quero para você, meu filho
É que esteja satisfeito

E seja um tipo simples de homem
Seja algo que você ame e entenda
Seja um tipo simples de homem
Você vai fazer isso por mim, filho?
Se puder?

Querido, seja um homem simples
Seja algo que você ame e entenda
Querido, seja um homem simples



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Irradiando

Fiz o curso de gestão com o Gabriel (site dele aqui).
Cara gente finíssima, inteligente, culto, articulado, didático e muito ativo. Não tem só o discurso vazio como maioria que conheci no faceshit...

Seguem 4 vídeos dele e um documentário bacana do Rafael Togashi.












“Escolher ser isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher o mal, o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem que o seja para todos.” – [Sartre, O Existencialismo é um Humanismo]



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Vai um salmãozinho aí?

Nada como uma alimentação saudável...
Depois que vi o doc da industria de alimentos para pets acho que nada mais me surpreende.




E viva o neoliberalismo!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As nossas pequenas canalhices cotidianas

Da penúltima vez que eu estava descendo (São Bernardo -> Peruíbe), ao parar no pedágio (uma das máquinas neoliberais de gerar milionários), um dos muitos rapazes que vendem coisas ali me pediu uma carona.

Nos pedágios do sistema Anchieta-Imigrantes é 'normal' esse comércio. O que não era normal eram os pedidos de carona.

Há um tempo me incomodava de fazer esse trajeto sozinho no carro. Acho uma certa indescência ter lugares vagos e saber que tem gente que paga - quando consegue - quase R$40,00 para fazer esse trajeto.

Uma pausa: R$ 80,00 ida e volta de ônibus é praticamente a mesma coisa que um motorista de carro gasta de combustível e pedágio para fazer este trajeto, o que, para não dizer outra coisa, é bastante "estranho", já que num coletivo, como a própria palavra designaria, o valor seria solidário entre os passageiros e portanto deveria ser bem mais barato. Sim, mais uma vez, algum asqueroso do "livre" comércio enriquece com exploração, legal, porém amoral.

Voltando ao causo, disse ao jovem que ele poderia embarcar.
Ele me diz que sua família também iria e aí não pude manter a oferta pois tinha um rolo de fórmica no banco de trás. Pra quem não sabe os laminados desse tipo vem num rolo grande, não podem ser dobrados e são mais ou menos delicados.

Ele agradeceu e eu segui viagem pensando no episódio.

Fora nossas pequenas canalhices cotidianas como essas individualidades recheadas de preconceito (sim, devemos assumir que boa parte da questão 'segurança' vem dele), conveniências e auto indulgências, me perguntei por que após tantos anos passando ali agora me pediram carona?



Ontem ao fazer o mesmo trajeto uma menina bem jovem me pede carona no mesmo ponto. Dessa vez não havia nada no carro e eu mais ou menos sabia que ela não viria sozinha.
Eu disse que encostaria o carro para não atrapalhar ninguém um pouco mais à frente e ela e seu marido poderiam carregar suas coisas e entrar no carro.

No porta malas colocamos seus itens de venda: seu isopor e suas embalagens de chocolates e salgadinhos.

De certa maneira fiquei um pouco apreensivo.
O massacre midiático (apesar de eu não ter televisão em casa) e os preconceitos nos rondam constantemente.

O máximo do perigo foi o rapaz adormecer segurando a cabeça no banco da frente e a moça ficar pescando no banco de trás.

Um casal muito jovem. Não diria mais do que 18 ou 19 anos se tanto.
Ela mulata pequenininha e ele um rapaz branco magrinho de feições comuns.

Estavam com certo odor forte, claro, um dia inteiro trabalhando na estrada sem banheiro e nenhuma outra condição digna qualquer um estaria.

Antes deles entrarem naquele estado de sonolência perguntei como era a condução e tal. Eu queria compreender o por que desse 'fenômeno' da carona estar aparecendo.

O jovem me disse que antes as vans davam carona pra eles porém agora eles cobram R$ 20,00 de cada um.

Vejam a que ponto a indecência humana em forma de monetização pode chegar!
Um 'empreendedor de vans' parte para explorar o inexplorável!
Talvez R$ 20,00 seja tudo (ou talvez nem isso) o que o rapaz consiga faturar no dia!

Paramos no caminho no bairro de Humaitá, à beira da estrada.
Eles desceram, me agradeceram e me ofereceram água e bolacha.
Neguei pois não seria justo surrupiar seu 'estoque' e nem dentro do conceito da generosidade e da dádiva a que tanto reclamo faltar no mundo. 
Um aperto de mão foi o que fiz questão de aceitar. De um humano a outro. Sem mais nem menos. Sem valoração, monetização ou julgamento.

Lembrei do meu jovem 'amigo' com seu discurso meritocrático e fascista, típico da atualidade.
Um sujeito branco, de família razoavelmente estável financeira e emocionalmente, numa sociedade que conspira para que ele tenha acesso a tudo, além da sorte e do acaso. Ele é o corredor bem nutrido, treinado e vestido que sai na frente da 'plebe' (que além de não ter nada disso nem sequer tem o "querer" incutido em sua criação) e depois branda alto seus supostos méritos.

Acabava de deixar dois brasileiros na estrada, que realmente trabalham, numa luta desigual e desumana pela sobrevivência.
Dois jovens cujos piores castigos sem razão - a não ser a cor da pele e as suas origens - a que são submetidos são a desesperança e a ausência de sonhos.

Bem nos lembra Amartya Sen, liberdade substantiva é algo mais amplo do que a simples liberdade formal (essa de ficção que temos). Sem a primeira não há justiça e portanto NINGUÉM pode arrotar suas supostas conquistas.

Não sei qual o limite da perversidão a que esse sistema sócio-econômico nos meterá.