quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

No país dos decibéis

Fim do carnaval.
Não passei incólume. Fui atormentado por todos os meios de comunicação, vizinhos, transeuntes, etc.
O massacre do dumdumbratecumdum anual.
O desfile dos silicones e das músicas medíocres.

Não tenho nada contra samba.
Confesso que sou um adorador do rock e do blues, mas cito facilmente Chico Buarque, Adoniran Barbosa e Pixinguinha como bons exemplos do samba de qualidade.
E apesar de que "gosto não se discute" (a frase feita preferida dos ignorantes de mal gosto), qualidades e virtudes podem ser discutidas sim.

Qualquer bípede com o mínimo de QI não pode afirmar que Cláudia Leitte, Ivete Sangalo, É o Tchan, Sandy e Jr., Fresno e mediocridades desse naipe tem qualquer coisa de bom. Pode até dançar ao som dessas anomalias musicais, mas escondido, pois deveriam ter vergonha.

Fora a debilidade mental institucionalizada, me vem em mente a bizarra associação entre barulho e felicidade.
Antes de mais nada que fique claro que ninguém "É" feliz, e sim "ESTÁ" feliz. Assim como qualquer outra emoção humana ela dança em iguais proporções com suas companheiras na psique humana..

Domenico Demasi, um filósofo italiano, disse que o rico do século XXI terá duas coisas: tempo e silêncio.
Entenda que o "rico" é aquele que tem mais do que a maioria de algo que está escasso, ou seja, por definição não necessariamente é dinheiro como o senso comum aponta.

Outro fator alarmante é o medo do silêncio. Por terem pavor do silêncio, não educam seus filhos para valorizá-lo.
Têm tanto medo de ouvir suas próprias vozes (aquelas internas, perigosas e assustadoras) que se submetem (e infelizmente me submetem) a tudo, afirmando até que não se incomodam, o que é a maior e mais descarada mentira, dados os efeitos físicos comprovados do barulho, como elevação da adrenalina, pressão arterial, estresse, insônia, aumento de 20% na probabilidade de infarto e obviamente os efeitos diretos sobre a audição.

Por quê essas mentes minúsculas confundem alegria com barulho?
Duvido que a Tati Quebra-Barraco seja mais "feliz" que o Dalai Lama...

Com a barulheira que nos rodeia, tornamo-nos surdos a nós mesmos. É mais uma das ditaduras modernas.

Como disse Cláudio de Moura Castro, colunista da Veja: "Eu vinha de uma Suíça onde em muitos edifícios é proibido tomar banho à noite e puxar a descarga depois das 22 horas. Os ônibus são silenciosos. Os cachorros não latem. As crianças não berram.
Nos restaurantes a barulheira não está no cardápio, mas é parte do serviço. É como se o objetivo de manter uma conversação relaxada e inteligente fosse coisa subversiva..."

Meu caro Cláudio, conversa inteligente nesse país?! Aonde?
E ainda procuram-se sinais de vida inteligente fora do planeta...

"Não quero que o silêncio só exista na calada da noite, no alto das montanhas, no ermo das matas. Quero-o no contato com as pessoas queridas, ricas e coloridas - meus semelhantes. Não quero ser misantropa, quero ruído normal que me permita falar, sentir e pensar." - Anna Verônica Mautner -
Psicanalista.