domingo, 13 de abril de 2014

Eco-bobagens parte 3 - O retorno

Já passei pela primeira e segunda parte sem cansar de me divertir.

O Leroy Merlin vende eucalipto tratado em autoclave por R$ 60,00 a peça de 3 metros por 12cm de diâmetro.
Uma viga de garapeira bruta de 5 x 11cm que é mais ou menos o equivalente em resistência custa em torno de R$ 48,00 a mesma metragem.

O processo de autoclave exige energia e produtos químicos, já a garapeira dispensa esse pré-tratamento.

Mais uma vez você acha que comprando o green eucalipto estará 'ajudando o planeta' ou ajudando as corporações e seus gananciosos acionistas?

Além do mais, uma tora de eucalipto sem tratamento deve custar uns R$ 5,00 (preço de varejo). Sinceramente você acha que o tratamento em autoclave justifica uma 'pequena' margem de 1200%*?

Isso ainda é capitalismo???


*nota para desdobrar o raciocínio:

Sinceramente você acredita que a cadeia produtiva justifica isso?

O Leroy compra direto do produtor e a carga triubutária (o único meio que o estado tem de retirar dinheiro desses tubarões) nem de longe chega a 10% dessa insanidade.

No mais, já tendo sido um empresário e abandonado por absoluto desgosto das práticas utilizadas no meio (negociatas de caráter discutível, sonegação, lavagem de dinheiro, trust, exploração do trabalhador e por aí vai - Cisco, Alston e Siemens podem ser colocadas como pequenos exemplos desse mundo), sei muito bem que os preços de venda são feitos de modo "nada acadêmico", no sentido de que os conhecimentos administrativos e econômicos são jogados pela janela quando se coloca o preço que se quer a algo.

Ainda mantendo um pé no desenvolvimento de software principalmente para indústria e comércio, e isso ainda é o que continuo vendo. Um conjunto de ações desprezíveis baseados em uma ideologia do lucro a qualquer custo e as alegações tradicionais do mercado (que é um Deus ao qual temos que obedecer): "não pago pouco ao meu funcionário, é a média de mercado"; "minha margem é alta por causa dos tributos e do mercado";

Sei de industriais (não posso citar nomes apesar do meu perfil quase fake), que apesar de concorrentes entre si combinam vender até n% sem impostos, trocam informações sobre métodos de importação "esquisitos", etc.

Conheço - e não é boataria - casas noturnas enormes com laranjas como donos, cuja função é lavar dinheiro de sonegadores e corruptos.
Você nunca achou estranho algumas lojas em locais nobres que quase nunca alguém compra algo?
Já parou para observar dia após dia esses lugares bizarros que persistem em existir?

Viver à margem disso, ou seja, catando algumas sobras desse sistema até desculpo, mas não consigo ficar simpático a quem defende essa ideologia sem nenhum questionamento. Ou é a mais pura burrice (coisa que supostamente não existe) ou a ganância e a má índole reside nessas 'boas' pessoas.