sexta-feira, 2 de junho de 2017

O mar, quando quebra na praia

Dorival Caymmi se estivesse vivo teria morrido de desgosto.
Será que por isso morreu?

Desde que me mudei pra praia me perguntam por que continuo branco, digo, não bronzeado.

Antes de mais nada esclareço que adoro o mar.
Sempre gostei e o achei lindo. Sou mergulhador avançado pela PADI também.

O problema é que não curto muito o sol e justamente por morar na praia acabei desenvolvendo certo nojo do mar.

Passear a pé pelas calçadas imundas e as belas casas com seus respeitáveis moradores varrendo excrementos e urina de cachorro quintal a fora me fez desenvolver essa "fobia".

Como é sabido, as águas pluviais vão sarjeta à baixo e a minha rua dá diretamente na praia.
É óbvio que em outras cidades o sistema é o mesmo, exceto que vai para algum córrego, rio e por fim, pro mar, mas aqui me deu essa visão brutal, nua e crua da coisa.


Sempre achei absurdo o jeito do brasileiro em lidar com a coisa pública, no caso aqui me referindo ao espaço público em geral. Essa coisa abominável de o que é público é de todos porém não é de ninguém.
Países evoluídos como o Japão por exemplo, justamente porque é de todos que merece cuidado de todos, e ainda que eu não possa usar para meu uso privativo, cabe-me a decência de zelar por ele.

Notem que nem precisei entrar na lenga-lenga do "ecodiscurso".
Certa dose de moral já seria o suficiente para evitar esse descalabro.

Curiosamente muitos (para não dizer a maioria) dos moradores daqui não vão muito à praia e olha que ela nem é (muito) poluída ou com (muito) lixo na areia.
Acho que mesmo dentre os boçais que acham que "a rua é pública" (e o mar também) ficou um ranço pelas próprias atitudes.

Enfim, o 'esgoto do mundo' ocupa a maior parte da superfície terrestre, e suas criaturas e sua biodinâmica foi o que nos permitiram e ainda nos permitem existir.

Mas como disse o Agente Smith, nós somos uma praga e é esse legado "respeitoso" que deixamos para as outras espécies e para os nossos semelhantes.